Mães Narcisistas, como lidar? [Parte 2]

Primeiramente é necessário que você analise a gravidade da sua situação pois, assim como existem diversos níveis de estado de depressão de uma pessoa, também existem níveis de gravidade de uma mãe narcisista que pode ir desde o grau leve até o mais agudo.

 

Em segundo lugar, analise o contexto pois cada contexto tem sua particularidade: qual idade sua mãe tem? Qual a diferença de idade que ela tem de você? Você tem outros irmãos ou é filha (o) única (o)? Qual sua condição financeira, é alta, média ou baixa? Qual é o papel do seu pai? Ele é tóxico, é mais passivo ou é um pai ausente? Você mora com sua mãe ou não mora com ela? Se você mora com sua mãe você precisa se concentrar em ter independência financeira e emocional, além de precisar manter seu bem-estar por estar morando debaixo do mesmo teto que uma pessoa que tentará impor a você coisas muito difíceis, porém, se você não mora com essa mãe, saiba que o comportamento dela será tentar atrair você de volta para o mesmo lugar que ela está, então, a dinâmica é diferente, por isso é preciso analisar o contexto.

Existem quatro tipos de “jogos clássicos” feitos por mães narcisistas que são importantes para você saber: (esses jogos podem ser alternados num mesmo dia, num mesmo mês, simultaneamente ou possuir predominância entre um em relação aos outros)

  • Vitimismo: é o tipo de mãe que se vitimiza com frases do tipo “…e tudo que eu fiz por você? ”; “eu parei minha vida por você”; “você não faz nada por mim”. Com isso, ela provoca em você o sentimento de culpa. Então, você precisa estar muito atento a este tipo de situação porque é preciso desconstruir essa ideia de culpa. Primeiro é necessário que você entenda que a culpa nos ajuda a evoluir como seres humanos, pois é através dela que revisamos e reparamos nossos erros e, buscamos não errar novamente, porém, a culpa pode ser muito subjetiva pois as vezes é baseada em regras que são arbitrárias: existem culpas que são baseadas em regras claras, como: não ferir; não prejudicar alguém; entre outros, porém magoar alguém que é manipulador nos leva a crer em uma falsa culpa ou seja, você sente culpa de ter se “protegido ou defendido” de alguém que em alguma medida te faz mal, pense o seguinte: quando alguém quer te fazer mal e você afasta esta pessoa, ela vai se incomodar/reclamar disso e dizer que você fez mal para ela, quando na verdade é ao contrário: ela te faz mal e por isso você se afastou. Então você não deve se sentir mal por querer se afastar ou “bloquear” pessoas que te fazem sentir mal, desconstrua este sentimento de culpa. Observe se você também não entrou em um comportamento doentio em que você pode estar agredindo ou se a pessoa está apenas te fazendo se sentir um agressor quando na verdade você está apenas se defendendo. Sugestão: anote em um papel o motivo de estar se sentindo culpado e analise: qual regra eu infligi neste momento? Essa pessoa está reclamando de forma justa ou é algo manipulatório?

 

  • Você quem é o “ruim”: é quando a pessoa leva você até seu limite e quando você explode, faz você parecer o “monstro”, ou seja, imagina que você está em um dia rotineiro e sua mãe começa a implicar com tudo o que você faz, fala que você não lavou a louça direito, que atrasou o almoço por sua causa, enfim, reclamações em cima de reclamações, até que você se esgota e reage e, neste momento ela faz com que a culpa vá para você, pois é você quem está bravo e descontrolado então, não reaja a este tipo de provocação, quando a pessoa começar a te provocar e você sentir a sua temperatura subir, saia do ambiente e dê uma pausa para que sua raiva diminua, pois se você reagir criará um embate com réplicas e treplicas de ambas as partes onde não se chega a lugar algum, apenas onde você já conhece: sua mãe te culpando por suas reações.

 

  • Amizade/ajuda: Este tipo de jogo ocorre quando sua mãe exagerou negativamente em algum comportamento dela em relação a você, ou seja, duvidou de algo que você falou, te culpou de algo que você não fez, brigou em excesso, entre outros e, ao sentir que errou com você, ela resolve amenizar as “coisas” e te tratar de uma forma muito amistosa, calorosa e amiga. Neste momento você se envolve de esperança, acredita que sua mãe possa ter melhorado, repensado e se arrependido dos seus comportamentos então, você já se cativa e se envolve novamente com ela, contando até mesmo, alguns segredos seus, alguma novidade que era positiva para você e que você gostaria de compartilhar com ela se ela fosse mais aberta, porém o ciclo volta novamente, pois tudo o que você contou para ela neste período que ela estava mais “aberta e receptiva” acaba sendo utilizado contra você e assim, o looping de culpa e briga se reestabelece. Então, tenha calma, da mesma maneira que você não precisa embarcar nem na culpa e nem na raiva, também não embarque na esperança da relação perfeita e amistosa, lembre-se que ninguém muda do dia para a noite.

 

  • Silêncio: este tipo de jogo costuma nos incomodar muito pois nos deixa angustiados, é como se fosse uma “guerra fria”, você se questiona do que pode estar havendo entre vocês, se sente perturbado, não sabe exatamente o que pode ter feito de errado, não sabe quando a pessoa irá brigar, qual vai ser o “tamanho” dessa briga, você pode até suspeitar e saber que a pessoa está te punindo por algo que você fez e se você está nesta condição de ser refém emocional da mãe abusiva, você vai “cair” neste jogo então, aproveite este tempo que a pessoa está silenciosa e faça suas coisas, tente se distrair e não ficar pensando incessantemente o que pode estar acontecendo, se desprenda dessa angustia e procure fazer coisas que gosta e que te distraiam.

 

Algumas dicas extras que você pode aderir:

 

  • Cuidado com a obsessão em torno da sua mãe, ou seja, não viva em função da sua mãe, as sessões de terapia não precisam girar em torno da relação de vocês 100% do tempo, você não precisa falar sobre ela em todas suas conversas sociais. Mães são as figuras mais importantes de nossas vidas por um bom tempo, mas elas não precisam ser para sempre as mais importantes.

 

  • Se você já tem certeza das características narcisistas que há em sua mãe, assuma para si mesmo o relacionamento /tóxico/problemático que vocês têm, não finja para si mesmo como se houvesse apenas um “pequeno probleminha” entre vocês, pois quanto mais você finge que não há nada demais, quando acontecer algo problemático, você se culpará e cairá nos jogos de manipulação novamente.

 

  • Desista de salvar/mudar a sua mãe, não que ela não possa ser mutável, mas sim porque as mudanças precisam partir da própria vontade da pessoa, ela precisa buscar autoconhecimento e perceber características que ela mesma gostaria de mudar, além disso, toda mudança é complexa, até mesmo pessoas que possuem um bom autoconhecimento apresentam muitas dificuldades na hora de colocar as mudanças em práticas, pois é necessário força de vontade; persistência; quebra de hábitos e pensamentos que estão enraizados há muitos anos, ou seja, mudar é uma tarefa complexa e que demanda tempo.

 

 


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